O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,7 por cento no quarto trimestre ante o terceiro, tracionado pelo avanço de 2,5 por cento do consumo, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.
A mediana de previsões de analistas consultados pela Reuters apontava expansão trimestral de 0,90 por cento --com faixa de respostas de alta de 0,6 a 1,0 por cento--. Na comparação anual, o crescimento foi de 5,0 por cento, ante uma mediana de 5,05 por cento -- com faixa de 4,2 a 5,8 por cento.
O resultado anual mostrou expansão generalizada. A expansão da indústria e a formação bruta de capital fixo foram as maiores da história e os gastos das famíilias refletiram as medidas fiscais e monetárias tomadas pelo governo em 2009 --e mantidas ano passado para incentivar o consumo e tentar debelar os efeitos da crise global.
"A demanda doméstica continuou sendo o grande suporte da economia", resumiu o presidente do Banco Central Alexandre Tombini, em nota, ao comentar os dados divulgados esta manhã.
O crescimento de 2010, segundo o IBGE uma dos três maiores do mundo entre países em desenvolvimento no período, é anunciado num momento em que o governo luta para esfriar o ritmo da economia, em meio à escalada da inflação.
Na quarta-feira à noite, o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou a segunda alta de 0,5 ponto da taxa básica brasileira este ano, para 11,75 por cento, maior patamar em dois anos.
Impulsionado por aumentos dos preços de commodities, fatores sazonais e demanda aquecida, o índice de preços ao consumidor IPCA, usado como parâmetro para o sistema de metas, acumula alta de 5,99 por cento nos 12 meses até janeiro, bem acima do centro da meta anual de 4,5 por cento.
"Há um aumento do consumo das famílias. E acelerou em relação ao terceiro trimestre, indicando que realmente a gente tem uma pressão de demanda mais forte", disse Thaís Zara, economista-chefe da Rosenberg & Associados.
Para frear esse movimento, em dezembro, o BC Já tomara medidas para desacelerar o crédito. No início desta semana, o governo detalhou planos para alcançar uma economia de cerca de 50 bilhões de reais no Orçamento deste ano.
Em Brasília, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse a jornalistas que a economia já está no caminho de uma expansão mais equilibrada.
"Em 2011 nós vamos ver que a economia já está desacelerada, portanto já está num crescimento sustentável", disse Mantega, que prevê expansão de 4,5 a 5 por cento este ano.
Por outro lado, os dados do IBGE mostraram que alguns dos principais setores da atividade doméstica deram sinais de fadiga no final do ano, podendo colocar a gestão macroeconômica na situação de ter que ao mesmo tempo conter o consumo e incentivar a indústria, especialmente os setores ligados a exportação, afetados pela apreciação do real ante o dólar.
No quarto trimestre em relação ao terceiro, o único segmento que registrou expansão foi serviços, de 1,0 por cento. Já a indústria recuou 0,3 por cento e a agropecuária encolheu 0,8 por cento. segundo o IBGE, A demanda interna respondeu por 10,3 por cento do PIB de 2010, enquanto a demanda externa deu uma contribuição negativa 2,8 por cento.
"O grande consenso é que o crescimento corre em duas velocidades: os consumidores ainda são o principal fator de expansão, e os exportadores estão ficando para trás", disse Neil Shearing, economista sênior para mercados emergentes da Capital Economics.
(Para ver o relatório do IBGE, clique em here)
(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier, Brian Ellsworth e Stuart Gruddings; reportagem adicional de Silvio Cascione e Luciana Lopez)
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